Quando: 25/09/2026
Abertura dos portões: 20h
Onde: Classic Hall (Av. Agamenon Magalhães, s/n – Olinda)
Classificação: 12 anos.
A criança ou adolescente com idade entre 12 a 14 anos, desacompanhados de genitores ou responsáveis, poderá permanecer no evento, desde que esteja por seu representante legal, autorizado por escrito, com firma reconhecida, delegando sua responsabilidade a uma pessoa maior de 18 anos. (modelo 2 no site do TJPE/NUDIJ)
(Adolescentes de 15 a 17 anos, poderão entrar desacompanhados dos pais ou responsáveis legais, desde que estejam portando autorização por escrito com firma reconhecida em cartório ou assinatura digital pelo site do GOV.BR, conforme modelo de autorização disponibilizado na portaria Nº 001/2017 do TJPE)
ZÉ RAMALHO 2026 – SHOW DOS SUCESSOS
Zé Ramalho chega aos 77 anos de vida com uma posição única na música popular brasileira.
É um momento de comemoração, e também de consolidação da sua presença sempre
inquieta, criativa e antenada.
Antes mesmo de seu lançamento como artista profissional com seu histórico primeiro álbum
Zé Ramalho — a que os fãs ainda hoje se referem como “o disco do Avôhai” —, Zé Ramalho
já acumulava realizações poéticas e musicais, tendo participado de bandas de rock em João
Pessoa e publicado literatura de cordel (Apocalypse Agalopado, 1975).
O imenso sucesso do disco de estreia ajudou a definir as linhas principais de sua imaginação
criadora: o rock, a música regional, a poesia popular do Sertão nordestino, o misticismo, a
crítica social, o realismo fantástico e o psicodelismo. Elementos que ao longo destes 77 anos
de vida ele se dedicou a cultivar e a fundir à sua maneira única e pessoal.
O impacto de seus primeiros álbuns surpreendeu a crítica musical e arrebatou o público. Os
anos 1970 foram a época de uma grande “chegada” de artistas nordestinos nos palcos do Rio
e São Paulo. Dentro dessa constelação de brilhos, a poética de Zé Ramalho reluzia com luz
própria e uma estranheza que chamava a atenção. Neste início, já estava bem nítida a
presença impositiva no palco, a voz ora irônica, ora cavernosa, a batida segura na cadência
roqueira e o balanço agitado do forró.
A força mais sedutora estava nas letras, cuja poética rica e inesperada ajudou a fazer da obra
de Zé Ramalho uma referência obrigatória na história do psicodelismo e da contracultura na
MPB. O universo poético de Zé Ramalho bebe tanto no folk-rock como nos violeiros do Vale
do Pajeú, despertando associações, memórias ancestrais e lampejos futuristas misturados a
intuições tão antigas quanto as pedras sertanejas.
E não somente o compositor. O intérprete Zé Ramalho, entre 1991 e 2022, lançou uma série
de álbuns-homenagem onde absorve e recria a obra de artistas que o marcaram quando
jovem: Brasil Nordeste, Nação Nordestina, Zé Ramalho canta Raul Seixas, Zé Ramalho canta
Bob Dylan – Tá Tudo Mudando, Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga, Zé Ramalho canta Jackson
do Pandeiro e Zé Ramalho canta Beatles.
São décadas de uma criação musical em que compositor e intérprete se completam, pois todo
intérprete musical traz para perto de si o que de algum modo se harmoniza com seu espírito,
sua voz e sua intenção de canto. O próprio Zé Ramalho costuma dizer, sobre uma música
alheia que pretende gravar: “Calma, ainda estou ramalheando a música pra deixar no ponto”.
O “ponto” é a sua combinação única de discurso poético, presença de palco, voz inconfundível
e repertório raro de influências bem assimiladas.
Nestes 77 anos, ele produziu uma obra de mais de 30 álbuns, atingindo a expressiva marca
de 6 milhões de cópias vendidas — com destaque para o CD duplo 20 Anos: Antologia
Acústica (1997), que ultrapassou 1 milhão de cópias.
Do disco do “Avôhai” até o álbum mais recente, Ateu Psicodélico, Zé Ramalho construiu uma
estrada de canções cujo sucesso não se esgota na novidade; pelo contrário: torna-se mais
sólido com o passar do tempo. Para o público fiel que consolidou ao longo da jornada, receber
um novo show ou um novo disco de Zé Ramalho é reencontrar algo único, uma experiência
que vai além dos rótulos e dos gêneros musicais: “uma espécie de pacto de fidelidade que se
renova ano a ano”.
Braulio Tavares