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Clube do Choro de Brasília
apresenta
CAIRO VIRTOR
OFERENDA
Conhecido no Distrito Federal como violonista, arranjador e produtor musical, Cairo Vitor abre ao mundo sua veia de compositor e intérprete. “Oferenda” é o primeiro álbum do artista e sua proposta é a de compartilhar sua música e sua profunda ligação com sua terra e seus antepassados.
O violão brasileiro, reverenciado ao redor do planeta, é a estrutura desta obra, que conta com 10 faixas, sendo 8 instrumentais e 2 canções – uma delas cantada pelo próprio Cairo. Gravado nos estúdios Lima Cruz, em Brasília, a obra é inteiramente autoral e traz uma sonoridade que transita confortavelmente entre a música erudita, jazz e os ritmos regionais. Em Arpejo para um afrosamba, Cairo trás uma epopeia erudita inspirada no gênio criativo de Baden Powell. Violão e percussão conversam os mistérios do afrosamba, tocando o oculto à luz do virtuosismo nas cordas.
Planalto é um instrumental que, de fato, passeia pelo Distrito Federal: traz a modernidade de Brasília e nos leva para o aconchego da ruralidade, um tanto desconhecida dos moradores do Plano Piloto. Já em Toccata para vó Terezinha, o violonista nos leva para dentro de uma sala de concerto e nos mostra uma peça em violão solo de qualidade e proporções sinfônicas.
A casinha na roça, as noites de folia e o cateretê no rádio se unem em Lembrança boa, música que constrói um fusion entre ritmos “caipiras”, improviso do jazzístico e construção de música erudita. Cafuné é a faixa cantada por Cairo Vitor e é um convite introspectivo ao acolhimento.
Conselho de pai traz uma lembrança de um momento com seu filho, então com 4 anos de idade: ao tentar aconselhá-lo, a criança responde: “obrigado, pai, mas já sei”. A composição é como um desabafo do conselho que ficou retido. Com imagética rural e com toque de Catira.
Perdendo a base é uma valsa jazz brasileira e Vazante é uma homenagem ao violonista e compositor cubano Leo Brouwer, referência mundial no violão erudito com referências regionais. Choro de filhote é interpretada pela cantora Martha Freitas e traz uma confissão de um pai ao berço de um filho. É uma valsa de ninar corações de todas as idades. Sr. Dominguinhos, dueto de violão com acordeão que homenageia o ilustre sanfoneiro que lhe dá título, é a faixa que encerra o álbum.
Produzido pelo próprio Cairo Vitor e por Lidi Satier, cantora e produtora fonográfica, o time de confecção desta obra conta ainda com figuras expressivas da música de Brasília: Paula Zimbres (contrabaixo), Sérgio Morais (flauta) e Felipe Fiuza (percussão).
Oferenda olha para trás, recordando-nos de quem vem antes no sangue e na arte. Depois, olha para baixo, reverenciando a terra que sustenta as histórias que recebemos e as que criamos. Olha, ainda, para cima, em um contato direto com tudo o que é maior que o humano. Por fim, Oferenda recebe de frente os ventos dos novos tempos, como que nos lembrando que, um dia, outros olharão para trás e nos verão.
Na simbiose das direções, tempos, gentes e elementos, um maestro violonista guia
seus ouvintes. Recebamos, de coração aberto e ouvidos atentos, a obra de Cairo Vitor.